Acordei no meio da
noite, tinha algo errado no meu quarto. Foi quando a escuridão se moveu e me
cobriu com desespero.
Notei a presença dele
quando tudo começou a formigar.
Os pelos dos meus
braços levantaram e uma onda de arrepio e pavor percorreu toda minha extensão,
partindo do meio da coluna.
O ar lutava contra
cada centímetro de mim, a gravidade ficou mais forte e eu estava sendo esmagada
com a pressão. Conseguia sentir meus pulmões gritando em desespero com o pouco
espaço que tinham para funcionar, o ar indo embora, o sangue em minhas veias
correndo pelo corpo, tentando distribuir vida e o meu coração batendo cada vez
mais devagar.
Ele queria me reduzir
a nada.
Gritei, mas a
criatura sugava cada palavra que saia, sugando meu fôlego, sugando todo
vestígio de vida e esperança que eu pudesse ter.
Eu sabia que ele
queria minha alma para si, sabia que me visitaria de tempos em tempos. Era a
quarta vez só aquele ano e estava sendo a mais intensa. Já não tinha forças
para lutar de novo. Estava me entregando...
Senti meu corpo
flutuar. Vi a criatura pela primeira vez: seu manto preto feito de escuridão
pura cobria quase todo seu corpo, deixando apenas sua boca à mostra.
Fechei os olhos e
esperei no vazio infinito.
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