Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de 2017

Humana

 Final de ano me deixa nostálgica.  Hoje resolvi assistir meu vídeo do ano passado .  Fiz várias coisas ao contrário esse ano.  2017 não tem sido um ano de risadas despreocupadas, picnics do amor, rolês com amigs, vídeos fofos motivacionais, descanso para a mente ou projetos pessoais. Só esse ano eu morri 23 vezes. Talvez 32. Já não sei bem os números, mas sei que morri e continuei respirando. E quando digo que morri é porque desisti de mim e senti dores reais: mente dilacerada, alegria queimada, expectativas destruídas. Senti tudo, tudo mesmo. E doeu tanto que quase esqueci o quanto estar viva é bom.  Esse ano eu mergulhei no lado que não mostrava para os outros (pelo menos achava que não), aquela parte feia que me deixa(va?) com tanta vergonha de ser quem sou. A minha versão que sente inveja, que tem medo de tudo, que quer ver o mundo explodir, que quer deixar de viver, que sente raiva (daquele tipo que faz mal e deixa o peito pesado), que é fraca (o qu...

Ferida exposta

Não importa o lugar, onde ela aparece o ambiente muda.   Assim que você a conhecer irá se envolver nas nuvens de esperança que ela deixa por onde passa. De alguma forma ela te mostra cores que você nunca havia notado, e pinta seu mundo com elas. É uma daquelas decoradoras que mudam tudo de lugar e equilibram as bagunças, mesmo quando você achava não existir outras maneiras de arrumar suas coisinhas.   Ela carrega dentro de si um universo inteirinho cheio de sonhos, e deixa aberto para qualquer um visitar, se você quiser coletar algumas estrelas de amor e levar para casa pode ficar a vontade, é dado, é doado. E com amor.  Essa menina tem alguma coisa especial: vida!  Estar perto dela será como uma tarde ensolarada, como dirigir ao pôr-do-sol ouvindo suas musicas favoritas enquanto sente o vento acariciando seu rosto. Estar perto dela é lembrar que a vida é curta demais para não ser vivida. E os problemas parecerão menos dolorosos, porque você não s...

Causa mortis: rotina

 6h - Alarme toca.  Olhos abertos desde as cinco encarando o teto com suas três ou quatro estrelinhas espalhadas. Marcas da infância? Já nem lembra e não se importa. Hora de levantar.  6h30 - Outro alarme.  Terminando seu café da manhã. Saudável. Será mesmo? Segue para o quarto.  7h - Arruma a mochila nas costas.  Encarar mais um dia. Respira fundo. Isso se aguenta. Não é a primeira a passar por isso e nem será a última.  8h - Bebe água. A primeira garrafa do dia.  Mais uma aula. O que está aprendendo? Não sabe explicar, mas segue para a próxima aula.  11h - Pontualmente abre a lancheira.  Sorri ao olhar a refeição mais querida do dia. Uma garfada. Frango. Outra garfada. Salada. Acabou? Precisa correr ou não vai chegar.  11h15 -  Ônibus? Ônibus!  Ainda com o almoço na garganta, empurra tudo com chá (saudável). Segunda garrafa. Vai dar tudo certo.  12h45 - Frio na barriga. ...

Dementadora

 -Você não me dá valor - ela sussurrou.  Não veio resposta, então ela continuou:  - Os dias passam e você me trata cada vez pior. Achei que fosse algo passageiro, você me disse que seria algo passageiro, me disse que iria se cuidar para não me magoar mais, disse que era apenas estresse acumulado, disse... e disse... e disse. Você é uma pessoa que diz muita coisa.  O silencio infestava o espaço inteiro fazendo com que ela se sentisse mais sufocada do que já estava.   - Toda vez que eu conquisto alguma coisa, qualquer coisa, você faz questão de falar que não é o suficiente, que EU não sou o suficiente. Parece até que faz isso para se divertir, pelo mais puro prazer de ver que estou deixando de sonhar.  Uma pausa. Uma lágrima. Duas. Um choro fino. Apenas ela:  - Hoje eu tentei lembrar o movimento que preciso fazer com meu rosto para sorrir. Fiquei com saudades daquela sensação. Qual era o nome mesmo? Eforia? Euforia! Isso. Mas os múscu...

Having big dreams but no realistic way to achieve them

 Não, eu não estou a fim de esperar.  Eu não tenho tempo para isso.  O mundão lá fora está gritando meu nome, tem alguma coisa muito grande acontecendo dentro de mim, e eu preciso compartilhar.  Rápido.  Preciso correr.  O inglês fluente é para agora.  O dinheiro é para agora.  A passagem para o mochilão é para agora.  Minha vida é para agora.  Eu quero tudo.  Eu quero o mundo.  E eu quero agora.

Shi

 As 24 horas do dia não são suficientes.  Como é que eu vou fazer tudo?  Só mesmo tirando pedaços de mim e ficando esmagada entre um respiro e outro.  Semana passada cortei uma coisa desnecessária: tinha vontade de fazer um livro com toda minha família, cada um contando sobre sua vida, sua experiencia no mundão... Vê se pode. Sonho bobo. Coisa de criança. Foi só tirar isso, que eu voltei a caber na rotina (bem apertada, sem respirar, mas coube): 4 horas de sono, 4 horas em transporte público, 4 horas na faculdade, 4 horas de internet, 4 horas de não-sei-mais-o-que, 4...  No Japão dizem que 4 é o número da morte.  Talvez seja mesmo, mas quem se importa?  Não tenho tempo pra pensar nisso (e nem em qualquer outra coisa).  Percebi que estou saindo de novo da rotina... Acabei de pensar no quanto seria bacana abrir uma loja... ai ai. Tudo bem. É só me desfazer de mais um desses desejos de criança e tudo bem.  Continuo normal, continuo acei...

Animais ou máquinas?

 Você já sentiu que sua pele já não te serve mais?  Você olha ao redor e está tudo errado.  As músicas que você escuta, os artigos que lê, os assuntos que te interessam, a comida que você come... Tudo te incomoda de uma maneira quase insuportável.  Sua zona de conforto fica entalada na garganta e não sai de lá nem com um litro de lágrimas (essas que tem fabricado todas as noites antes de dormir).  Não tem como continuar assim, e você sabe...  Você sabe que se der mais um passo carregando essa tonelada de desperdício na alma, só vai encontrar a morte. E não é a morte física, não. É muito pior. É a morte daquela viagem para o Canadá, a morte daquele futuro promissor que seus pais (e toda sua família) juraram que você teria, é a morte daquele seu projeto (aquele mesmo que você tem guardado na mente faz uns anos), é a morte da sua voz, é a morte da sua luta, é a morte dos seus sonhos. É aquela morte que ainda te deixa viva, o ponto final no meio do capí...

A fase adulta chega para todos afinal

 Descobrir que não posso mudar o mundo todo doeu mais do que um tiro no peito, foi como se me mandassem observar todas as misérias do mundo de dentro de uma caixa transparente, que me prende, que me limita, que me faz incapaz...  E eu achando que descobrir que papai noel não existe fosse a maior decepção da minha vida.