Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de junho, 2015

O veu que fabrica pedidos

 Aqueles pontos brilhantes enfeitando o céu noturno dançavam, faceiros, nos chamando para um encontro ao lado do lago.  Andamos até a plataforma de pedras e nos sentamos no chão frio.  -Está vendo todas essas estrelas? - ele sussurrou no meu ouvido  Balancei a cabeça confirmando, e ele continuou:  -Grande parte delas já está morta, e mesmo assim continuam brilhando, continuam lindas.  Sorri.  Por breves momentos cavalguei pela floresta do meu coração, onde vivem os pensamentos mais sinceros. Suspirei e me deitei para observar o espetáculo noturno. Nunca tinha visto o céu tão belo, parecia que ele tinha se arrumado inteiro para exibir seus pequenos tesouros.  Como um ritual, o céu se moveu e liberou uma de suas estrelas. Ela  caia, atravessava a noite sendo o toque final do espetáculo, sendo o maior dos astros.  Eu tinha aquela visão que lembrava meus livros infantis, tinha meus amigos comigo, tinha uma música de fundo (q...

Paralisia do sono

 Acordei no meio da noite, tinha algo errado no meu quarto. Foi quando a escuridão se moveu e me cobriu com desespero.  Notei a presença dele quando tudo começou a formigar.  Os pelos dos meus braços levantaram e uma onda de arrepio e pavor percorreu toda minha extensão, partindo do meio da coluna.  O ar lutava contra cada centímetro de mim, a gravidade ficou mais forte e eu estava sendo esmagada com a pressão. Conseguia sentir meus pulmões gritando em desespero com o pouco espaço que tinham para funcionar, o ar indo embora, o sangue em minhas veias correndo pelo corpo, tentando distribuir vida e o meu coração batendo cada vez mais devagar.  Ele queria me reduzir a nada.  Gritei, mas a criatura sugava cada palavra que saia, sugando meu fôlego, sugando todo vestígio de vida e esperança que eu pudesse ter.  Eu sabia que ele queria minha alma para si, sabia que me visitaria de tempos em tempos. Era a quarta vez só aquele ano e estava send...

Amélia Vox

 Não vou dizer que estava a pessoa mais feliz do mundo com a mudança no meio do ano.  Minha mãe finalmente havia realizado o sonho de construir uma filial de seu banco próxima ao bairro onde cresceu, então decidiu ser vizinha de sua melhor amiga de infância, a Sra. Dav. A parte boa nisso era o filho mais velho da nossa vizinha: o Morcy. Ele era ruivo como a mãe e tinha olhos verdes como o pai, alto, esbelto e usava barba mal feita, o que o fazia parecer mais velho do que seus dezoito anos permitiam. Os Dav tinham aparecido para ajudar na mudança e ficaram até o anoitecer conosco. Enquanto minha mãe e a Sra. Dav preparavam o jantar reparei no filho mais novo dos Dav: Oren. O menininho tinha quatro anos apenas e passara o dia falando com o nada, como se estivesse conversando com alguém. Oren me dava um pouco de medo.  - Ele está falando com o Draco – falou Morcy, sentando-se ao meu lado no sofá.  - Quem é Draco? - perguntei  - O amigo imaginário dele. Nã...

Dei um bis

Dei um bis, ele me deu uma bala Dei um bis, ele me deu um sorriso Dei um bis, ela me deu a gostosa surpresa no olhar Dei um bis, ele me deu um abraço Dei um bis e compartilhamos gratidão 

Morada do Sol

  Caminhei meus preciosos dois quilômetros até a Montanha do Sol, que nada mais era do que um morrinho com apenas uma arvore para os desavisados. Vovó sempre dizia que era importante dar nomes para nossos lugares secretos, dessa maneira só quem conhecesse o verdadeiro título estaria ali. Para as outras pessoas que passassem sem esse conhecimento, seria só mais um lugar.  Sentei embaixo da grande arvore, como de costume. A copa se mexia e peneirava a luz fraca do Sol, formando um belo show de luzes dançantes no chão.  -Está quase na hora, Vó! – falei, apressando vovó que vinha com seus passos já não tão rápidos.  O vento estava me abraçando com o frescor do final de uma tarde quente de verão, deixei-me ser levada pela sensação até a pele se arrepiar de frio. Aquele era o meu lugar favorito no mundo todo.  Ela se sentou fadigada. A mistura de seu sorriso franco com o vento que bagunçava seu cabelo fino lhe dava uma aparência comicamente infantil. ...