Caminhei meus preciosos dois quilômetros até a
Montanha do Sol, que nada mais era do que um morrinho com apenas uma arvore
para os desavisados. Vovó sempre dizia que era importante dar nomes para nossos
lugares secretos, dessa maneira só quem conhecesse o verdadeiro título estaria ali. Para as outras pessoas que passassem sem esse conhecimento, seria só mais um lugar.
Sentei embaixo da grande arvore, como de
costume. A copa se mexia e peneirava a luz fraca do Sol, formando um belo
show de luzes dançantes no chão.
-Está quase na hora, Vó! – falei, apressando
vovó que vinha com seus passos já não tão rápidos.
O vento estava me abraçando com o frescor do
final de uma tarde quente de verão, deixei-me ser levada pela sensação até a
pele se arrepiar de frio. Aquele era o meu lugar favorito no mundo todo.
Ela se sentou fadigada. A mistura de seu
sorriso franco com o vento que bagunçava seu cabelo fino lhe dava uma aparência
comicamente infantil.
-Acho que a Montanha do Sol está crescendo –
ela falou – Antes era bem mais rápido para subi-la. Desse jeito um dia ela
alcançará o reino das nuvens, Amelie.
-O que acha que existe nesse reino das nuvens?
-Tudo aquilo que você puder imaginar de bom,
querida.
-Tipo um castelo de chocolate?
-Exatamente.
Ficamos em silencio observando o sol se pôr,
nos dando o mais incrível espetáculo. Toda vez que o via me sentia mais viva,
era como se por breves instantes tudo fizesse sentido e o mundo se alinhasse de
uma forma tão preciosa que me sentia parte do universo como membro importante.
As lágrimas rolavam de uma forma suave pela minha face, quase me fazendo
carinho.
Enquanto a noite nos cobria com seu encantador
lençol de estrelas, eu e Vovó nos divertíamos contando histórias.
-Amelie – gritou meu pai se aproximando da
Montanha – Se despeça da Vovó e vamos embora, está bem?
Abraços e beijos marcando o final de mais um
verão com Vovó. Entrei no carro para casa com a sensação quente do abraço
apertado que ela me dera e adormeci.
-Amelie? Acorda, querida. – falou minha mãe
chorando
Já estava de dia, a luz que entrava pela
janela do quarto era forte.
-O que aconteceu? – perguntei assustada
enquanto a abraçava
-Vovó foi para o reino das nuvens.
Durante muito tempo não houve comemoração na
casa da Montanha do Sol. Até que um dia Papai me levou para meu lugarzinho
secreto e nos sentamos lá no topo. Dessa vez viramos para o outro lado e
assistimos o nascer do sol.
Quando voltamos da viagem, ele pintou a casa
toda de alaranjado brilhante e nos disse que aquela era a Morada do amanhecer.
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