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Humana

 Final de ano me deixa nostálgica.
 Hoje resolvi assistir meu vídeo do ano passado.
 Fiz várias coisas ao contrário esse ano.

 2017 não tem sido um ano de risadas despreocupadas, picnics do amor, rolês com amigs, vídeos fofos motivacionais, descanso para a mente ou projetos pessoais. Só esse ano eu morri 23 vezes. Talvez 32. Já não sei bem os números, mas sei que morri e continuei respirando. E quando digo que morri é porque desisti de mim e senti dores reais: mente dilacerada, alegria queimada, expectativas destruídas. Senti tudo, tudo mesmo. E doeu tanto que quase esqueci o quanto estar viva é bom.

 Esse ano eu mergulhei no lado que não mostrava para os outros (pelo menos achava que não), aquela parte feia que me deixa(va?) com tanta vergonha de ser quem sou. A minha versão que sente inveja, que tem medo de tudo, que quer ver o mundo explodir, que quer deixar de viver, que sente raiva (daquele tipo que faz mal e deixa o peito pesado), que é fraca (o que é ser forte afinal?), que compete o tempo todo, que se acha um lixo, mas ao mesmo tempo se acha a melhor do mundo, que se cobra tanto que chega a ser insustentável, que se preocupa com tudo, que não aceita ajuda para nada. Aquela eu que nunca está bem.
 Passei a maior parte do tempo em minha mente, presa.
 Admitir que tenho muitas coisas ruins para melhorar não foi a parte difícil (sou muito boa me lembrando sobre isso), a parte difícil foi voltar a acreditar que ainda existia coisa boa em mim. Por um bom tempo eu me convenci de que tudo que havia feito de bom para as pessoas era falso, que EU era uma farsa. Me afastei de tods amigs, recusei convites, sumi da vida das pessoas e desmarquei os mais diversos eventos que tentei marcar.
 "Todos vão se decepcionar quando saírem comigo desse jeito" era o que eu pensava. Todos meus amigos me conheciam como uma pessoa alegre, divertida, que brinca com tudo e gosta de falar e fazer coisas fora da comum (ou esquisitinhas para quem via de fora), como eu poderia aparecer em um lugar sendo o oposto disso? Como eu poderia sair com eles se eu estava tão mal e não sabia como voltar ao que era antes?
 Quem estava decepcionada era eu.
 Quem não estava aceitando era eu.
 E a verdade é que sentir raiva, inveja, medo ou qualquer coisa negativa não é o fim do mundo e não me faz uma farsa.
 Esse ano eu morri muitas vezes, mas essa é a primeira vez que estou voltando a vida.
 Sou amor e ódio.
 Sou alegria e tristeza.
 Sou vitória e fracasso.
 Sou boas intenções e pensamentos ruins.
 Sou ação e preguiça.
 Sou recadinhos fofos nas estações e frases ditas com raiva nos horários de pico.
 Sou aquela que some o tempo todo e aquela que aparece com vários incentivos.
 Sou medo.
 Sou coragem.
 Sou eu.
 Inteira.
 Humana.

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