A pergunta era inesperada, mas aguardada. Depois de tantos encontros fingindo ignorar o que sentíamos um pelo outro, imaginei que meu corpo se moveria sozinho quando tocássemos no assunto.
– Eu não sei – respondi, e era o que eu realmente sentia. – Me deixa te olhar mais um pouco.Eu já conhecia de cor o desenho da sua barba, os contornos suaves que moldavam seu rosto. Sabia de olhos fechados quais fios eram os mais rebeldes, aqueles que insistiam em se destacar, mesmo depois que você tentava domá-los com os dedos. E então, parei na sua boca até te deixar levemente envergonhado, antes de continuar:
– Eu tenho vontade de te beijar, mas não de um jeito sexual. Queria beijar com delicadeza cada parte do seu rosto, depois acariciar seu cabelo até você adormecer no meu peito. E então, em algum momento, me aninharia nos seus braços depois de beijar sua testa, ficando ali até que a fome nos despertasse.
Senti as lágrimas escorrendo silenciosas, enquanto ouvia meu coração admitir que já estava mais do que apaixonada.
– Eu queria te beijar em uma tarde de domingo.
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