Meu primeiro pensamento todas as manhãs é “será que vou sobreviver?”
É como se houvesse um rio de sentimentos dentro de mim.
Sei que pode parecer poético falar assim, mas eu sinto que esse rio toma conta de todo meu corpo, travando meus movimentos, envolvendo meu coração em angústia e invadindo meus pulmões. Não lembro qual foi a última vez que foi fácil respirar, a última vez que meu peito não pesou toneladas.
Um rio de dor está me afogando de dentro para fora, enquanto continuo viva (falar assim traduz melhor o que estou vivendo). São águas de dor, de raiva, de ansiedade, de medo, de tristeza, de “por que eu sou tão insuficiente?”, “será que as pessoas vão me abandonar?”, “será que estou recebendo sinais de que não sou importante?”, “quando me tornei tão patética?” e até o habitual “por que tenho essa aparência?”.
Às vezes a gente dá ouvido às pessoas erradas.
Às vezes existe um solo muito fértil dentro da gente para tudo que nos faz mal.
Acho que esse cataclismo foi se formando ao longo dos anos, e eu fui ignorando, me convencendo que era só colocar na agenda que um dia lidaria com isso (mas só depois, porque sempre tinha outras coisas para fazer: trabalho, estudos, necessidades alheias). O dia chegou e não estava anotado no meu cronograma que precisaria parar tudo e me olhar. Dói. Dói finalmente enfrentar o quanto estou machucada, meu humor está péssimo e eu detesto não ver o meu melhor nas coisas que faço.
Meu último pensamento todas as noites também é “será que vou sobreviver?”
E só eu posso fazer esse rio se acalmar deixando ele ir embora em cada choro inconsolável, em cada respiração carregada, em cada palavra que escrevo, em cada desabafo que faço.
Tudo dói.
Mas tudo passa.
Não é?
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