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Momentos bons são um inferno

- Vem, Ba. Levanta dessa cama, vamos para a cozinha beber um leitinho, isso vai te ajudar.

Minha mente a milhão, eu pensando nas coisas que não deveria ter visto, me sentindo o ser humano mais feio que existe, me afundando na tristeza... Mesmo assim não poderia te falar o que estava acontecendo.

- Eu estou vendo você se afundar, e eu não vou deixar.

Você, com todo o carinho, me tirou da cama. É realmente bom me movimentar quando estou super mal, e pegar uma dessas comfort food para me animar. As coisas ficam muito menos pesadas com um bom banho e um chocolate quente.

Lembro aquele dia no meu quarto, eu querendo morrer porque errei muito na minha monografia.

- Você fez muita coisa boa, Ba. - você falou meio bravo por me ver tão mal - Você vai escrever agora todas as coisas legais que você aprendeu e fez no TCC.

E aí eu peguei meu caderninho e as coisas ficaram melhores. Senti você me salvando da minha própria mente.

Sabe uma coisa que lembro com muito carinho? Aquele dia que estava tudo dando errado e você falou que a vida era boa ainda, e que estarmos juntos era uma coisa ótima. Eu me senti muito amada.

Também me sinto muito amada quando você me coloca para dormir, ou fica na ligação comigo até eu pegar no sono (e continua nela até você deitar), quando pega água as 10h para eu tomar meu remédio ou às 02h da manhã quando estou com sede, quando me abraça em momentos que estou precisando, quando me alimenta (porque sabe que a raiva vai embora na hora), quando me manda "bom dia" e "boa noite", quando não me julga por eu estar puta da vida (muitas vezes por estar com fome), quando me fala que eu só preciso ser eu e mais nada, quando você faz respiração comigo quando estou no meio de uma crise, quando a gente fica vendo BTS, quando vemos filminhos e séries (especialmente aqueles que ninguém conhece), quando me garante que não tem nada acontecendo, quando me faz ver a vida de outras formas, quando cuida com muito carinho de mim... 

Essas lembranças doem.
Doem demais.
É esse o sabor de se ter o coração arrancado?

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