11 da manhã.
Fim da aula.
Último semestre.
Tem quase um ano que estamos separadas, tem quase seis meses que não ouço sua voz, tem quase uma vida que não sinto seu toque. A faculdade é um pesadelo para mim, não porque eu tenho que te ver lá com seus amigos (que costumavam ser nossos), e nem porque tem um TCC para fazer, mas porque quando te vejo lá eu tenho a certeza de que tudo mudou e nunquinha será como antes. É doloroso te evitar quando o que mais quero é estar perto, não poder te olhar quando o que eu queria mesmo era passar horas encarando seu rostinho. Como posso fingir que somos desconhecidas quando eu te conheço tão bem e você sabe todos meus segredos?
Sinto o calor de suas mãos me tocar e então encontrar minhas mãos (que já não são mais frias como antes). As suas continuam me causando aquela sensação de xícara quentinha nas noites de inverno, sabe? Você continua sendo aconchego. Que saudades eu senti dessas mãozinhas.
"Ta tudo bem?" perguntei realmente surpresa, achei que estivesse sonhando.
Ela balançou a cabeça afirmando que sim.
Fiquei olhando nossas mãos juntas. "Isso é amor" pensei, enquanto retribuía seu carinho nos meus dedos "É amor genuíno". Queria ter uma foto desse momento para guardar. Encarei por alguns instantes seus olhos: doces, gentis, doloridos.
"Desculpa" falei enquanto meu peito doía e pulsava e gritava e chorava.
Você não sabe o quanto eu quis (e confesso que ainda quero) voltar no passado e mudar como tudo aconteceu. Eu só não poderia desfazer tudo, porque se eu não tivesse vivido o que vivi eu nunca seria quem sou agora. E eu tenho um bocado de orgulho de quem venho me tornando.
"Você me odeia?" perguntei.
"Não. Eu não sinto nem raiva de você."
Respiração voltando ao normal. Ela não me odeia. Ela realmente não me odeia. (Será que ainda temos chances?)
"Como você está?" ela pergunta interessada e disposta a me ouvir.
"Estou tendo uma crise de ansiedade. Mas estou bem. Tanta coisa mudou."
Vi uma reprise do ultimo ano passando em minha mente e minha vontade era te contar tudo: minhas crises, como tenho visto o mundo mais bonito desde que a depressão me deixou (ou pelo menos foi dar uma volta), a maneira como tenho lidado com a vida, como meus relacionamentos mudaram...
Eu passaria uma tarde inteira com você.
Na verdade eu passaria uma vida inteira com você.
"E como você está?" pergunto, igualmente interessada e disposta a ouvir.
"Estou melhor agora" ela responde.
E eu sei que é verdade. Eu sinto isso.
Um alívio no peito. Ela está seguindo a vida, ela está se curando.
Mais carinho nas mãos.
"Ouvi dizer que tirou 10" ela diz, como quem não quer nada.
"Você tambéeeem"
Eu sabia que você tiraria um 10. Você não sabe o quanto quis te mandar msg pedindo para ler seu projeto. Trabalhei muito meu autocontrole esses tempos, Raquel.
"Qual vai ser o seu produto?" pergunto.
"Um livro infantil. E o seu?"
Como eu quero ver isso, Raquel. Um livro cheio de ilustrações suas. Logo você que é tão talentosa! Céus, eu estarei na primeira fileira quando for sua banca.
"Um livro para adolescentes" respondo.
A chamada é feita. A aula acaba. Ela sai da sala.
"Eu amei seu cabelo" falo me despedindo.
No fundo eu queria ter gritado que ainda te amo.
Fim da aula.
Último semestre.
Tem quase um ano que estamos separadas, tem quase seis meses que não ouço sua voz, tem quase uma vida que não sinto seu toque. A faculdade é um pesadelo para mim, não porque eu tenho que te ver lá com seus amigos (que costumavam ser nossos), e nem porque tem um TCC para fazer, mas porque quando te vejo lá eu tenho a certeza de que tudo mudou e nunquinha será como antes. É doloroso te evitar quando o que mais quero é estar perto, não poder te olhar quando o que eu queria mesmo era passar horas encarando seu rostinho. Como posso fingir que somos desconhecidas quando eu te conheço tão bem e você sabe todos meus segredos?
Sinto o calor de suas mãos me tocar e então encontrar minhas mãos (que já não são mais frias como antes). As suas continuam me causando aquela sensação de xícara quentinha nas noites de inverno, sabe? Você continua sendo aconchego. Que saudades eu senti dessas mãozinhas.
"Ta tudo bem?" perguntei realmente surpresa, achei que estivesse sonhando.
Ela balançou a cabeça afirmando que sim.
Fiquei olhando nossas mãos juntas. "Isso é amor" pensei, enquanto retribuía seu carinho nos meus dedos "É amor genuíno". Queria ter uma foto desse momento para guardar. Encarei por alguns instantes seus olhos: doces, gentis, doloridos.
"Desculpa" falei enquanto meu peito doía e pulsava e gritava e chorava.
Você não sabe o quanto eu quis (e confesso que ainda quero) voltar no passado e mudar como tudo aconteceu. Eu só não poderia desfazer tudo, porque se eu não tivesse vivido o que vivi eu nunca seria quem sou agora. E eu tenho um bocado de orgulho de quem venho me tornando.
"Você me odeia?" perguntei.
"Não. Eu não sinto nem raiva de você."
Respiração voltando ao normal. Ela não me odeia. Ela realmente não me odeia. (Será que ainda temos chances?)
"Como você está?" ela pergunta interessada e disposta a me ouvir.
"Estou tendo uma crise de ansiedade. Mas estou bem. Tanta coisa mudou."
Vi uma reprise do ultimo ano passando em minha mente e minha vontade era te contar tudo: minhas crises, como tenho visto o mundo mais bonito desde que a depressão me deixou (ou pelo menos foi dar uma volta), a maneira como tenho lidado com a vida, como meus relacionamentos mudaram...
Eu passaria uma tarde inteira com você.
Na verdade eu passaria uma vida inteira com você.
"E como você está?" pergunto, igualmente interessada e disposta a ouvir.
"Estou melhor agora" ela responde.
E eu sei que é verdade. Eu sinto isso.
Um alívio no peito. Ela está seguindo a vida, ela está se curando.
Mais carinho nas mãos.
"Ouvi dizer que tirou 10" ela diz, como quem não quer nada.
"Você tambéeeem"
Eu sabia que você tiraria um 10. Você não sabe o quanto quis te mandar msg pedindo para ler seu projeto. Trabalhei muito meu autocontrole esses tempos, Raquel.
"Qual vai ser o seu produto?" pergunto.
"Um livro infantil. E o seu?"
Como eu quero ver isso, Raquel. Um livro cheio de ilustrações suas. Logo você que é tão talentosa! Céus, eu estarei na primeira fileira quando for sua banca.
"Um livro para adolescentes" respondo.
A chamada é feita. A aula acaba. Ela sai da sala.
"Eu amei seu cabelo" falo me despedindo.
No fundo eu queria ter gritado que ainda te amo.
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