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Ela é ar

  Com um leve soprar do vento ela chegou. Parecia uma nova sensação, mas era algo mais antigo que os primeiros livros, ou que a arvore mais velha que conhecia. Foi tomando espaço dentro de mim, se expandindo de maneira sutil, me envolvendo com seu aroma de segredo prestes a ser revelado, refrescando minha memória...
 Por menos de um segundo ela se revelou, por menos de um segundo me mostrou uma imagem que não pude identificar, por menos de um segundo ela se fez potência universal, por menos de um segundo... E foi embora.
 Deixando a impressão de que eu lembraria o que ela trouxe, de que eu a teria comigo por muito mais tempo do que apenas alguns milésimos de segundos. Tentei pegá-la até seu último fio de presença existir, mas ela era muito mais rápida.
 E como se nunca tivesse passado por mim, voltei a fazer o que estava fazendo, sem dar muita importância para o que tinha acontecido.
 Ela era assim, vinha de tempos em tempos, ameaçava ficar, mas só ameaçava. Depois deixava apenas uma leve brisa de lembrança, para que eu tentasse resgatar.
 Mas ela era ar, e eu tentava segura-la com minhas mãos.

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