-Vai mais devagar, minhas costas doem. - ela falou enquanto subíamos a rua.
Respirei fundo (impaciente) e a olhei.
Foi a primeira vez que a olhei de verdade durante muito tempo.
Quando foi que ela deixou de ter 45 anos?
Seus passos, que antes acompanhavam os meus, hoje eram mais lentos e se arrastavam com certo esforço. Sua pele perdera a consistência, e sua visão exigia uma grande quantidade de energia.
Ela já não era a mesma de dez anos atrás.
E continuava linda.
Linda com suas marcas de sol na pele, com seu cabelo pintado, com suas marcas de felicidade (e de preocupação) no rosto, com toda dedicação para manter a mesma rotina (mesmo com a dificuldade duplicada). Linda! Com toda a história que sua recém chegada velhice marcava.
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