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O dia que entregamos nosso "juntos"


 -Então, né?
 -É.

  E assim nos tornamos poucas palavras que dizem muito.

 Fiquei procurando um pouco de calor nos seus olhos naquele um segundo que conseguimos manter nos observando. Nada.

 -Aqui estão suas coisas.

 Segurei aquela sacola que tinha o peso de nossa história, minha bota favorita que estava na sua casa desde aquele dia que corremos na chuva rindo, meus potinhos que um dia guardaram pequenos gestos de carinho, lembranças do primeiro namoro que nos deu uma ideia muito legal para um curta...
 As ideias! Fomos uma explosão de ensaios fotográficos, exposições, lugares para conhecer, curtas, “referências”, brincadeiras na cozinha, estudos juntos... tudo isso no papel (eu e meu amor por papel). Fizemos várias coisas, não terminamos outras tantas, e nem começamos mais de metade dos planos. E não reclamo de nada disso. Amava nossas tardes preguiçosas, os dias que nos atrasávamos para os lugares ou ficar o dia todo na cama.

 -E as minhas coisas? – você perguntou impaciente

  Entreguei o anel.
 Entreguei tudo que poderíamos ser juntos, entreguei todos os planos que poderíamos finalizar juntos, entreguei seu passe “voe, passarinho” dessa vez sem a esperança de te ver voltar.

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